No dia 14 de maio de 2024, durante o Google I/O, Sundar Pichai anunciou uma das maiores transformações dos últimos anos: a integração nativa da inteligência artificial generativa ao mecanismo de busca do Google, conhecida como Search Generative Experience (SGE). A notícia rapidamente reverberou pelo mercado global, pois promete transformar radicalmente o modo como consumidores pesquisam, avaliam e compram – e, por consequência, redefine as estratégias de marketing digital e e-commerce. Para CMOs, diretores de e-commerce e líderes de negócios brasileiros, trata-se de uma verdadeira virada de jogo. Afinal, quem não repensar suas operações agora corre o risco de ficar invisível no cenário digital do futuro.
Inteligência Artificial Generativa no Google Search: O Que Muda, Na Prática?
Com a inclusão de IA generativa, o Google Search começa a responder perguntas complexas, criar resumos dinâmicos e recomendar, de forma contextual e personalizada, produtos, serviços e conteúdos relevantes. Isso significa que o tradicional ranking de links dá lugar a painéis inteligentes, capazes até de realizar comparações e sugerir próximas ações. Para o líder de negócios brasileiro, essa não é só mais uma inovação técnica: estamos diante de uma reinvenção do funil de conversão e das regras do jogo para experiências digitais.
Novo Cenário de Busca: Oportunidade ou Ameaça?
Por um lado, a integração da IA generativa pode elevar as taxas de conversão do e-commerce e o engajamento das marcas. Afinal, a busca agora entende contexto, intenção e oferece jornadas mais fluidas. Por outro lado, também pressiona empresas a repensarem seu conteúdo, suas estratégias de SEO tradicional e até o modelo de atribuição de performance digital. O CMO que não enxergar a diferença entre ser “encontrado” e ser “escolhido” certamente perderá espaço.
Do SEO Tradicional ao SEO para IA Generativa: O Caminho da Inovação
O grande diferencial da SGE é que ela não apenas exibe resultados – ela os constrói. Os resumos apresentados pelo Search agora são formados em tempo real, com base em múltiplas fontes e contexto. Isso requer que as marcas passem a produzir conteúdos semânticos mais ricos, orientados à resolução de dúvidas reais do consumidor, em vez de simplesmente repetir palavras-chave. Dessa maneira, investir em conteúdo autoral, relevante e experto, alinhado às dúvidas em cada etapa da jornada, será fundamental para aparecer (e convencer) nas novas experiências generativas do Google.
Além disso, integrações estruturadas com fontes confiáveis e sinais de qualidade (como reviews, vídeos e avaliações) passam a ser essenciais. As marcas que souberem mapear exatamente quais perguntas seus clientes buscam resolver – e conseguirem responder de forma concisa e autoritativa – terão vantagem competitiva na era da IA generativa.
Novos KPIs: Da Posição à Presença Gerada por IA
Nesse novo cenário, focar apenas em rankings tradicionais não é mais suficiente. É preciso monitorar métricas como share of search, exposição em painéis generativos e número de recomendações feitas pela IA. Dessa forma, times de marketing e e-commerce deverão adaptar seus indicadores-chave de performance para mensurar influência e engajamento além do clique.
Como a IA Generativa Impacta o Funil de Conversão
Um dos pontos cruciais para quem atua em performance é perceber que a nova experiência de busca pode encurtar ou, em alguns casos, até eliminar etapas do funil tradicional. Afinal, se a pesquisa já entrega recomendações personalizadas, críticas de especialistas e comparativos de preços em tempo real, o consumidor toma decisões muito mais rápido. Isso exige das marcas uma presença estratégica desde as perguntas iniciais até o pós-compra, com conteúdos interativos e formatos multimídia, como vídeos demonstrativos – que agora serão destacados pela IA.
A Nova Jornada: Da Dúvida à Decisão em Segundos
Imagine o seguinte cenário: um usuário busca “melhor notebook para edição de vídeo até R$ 7.000”. Com a SGE, a resposta pode apresentar um painel comparativo em tempo real, incluindo especificações, reviews, ofertas e próximos passos sugeridos, como “visite esta loja para desconto exclusivo”. Quem for referência em conteúdo confiável e experiência positiva tende a capturar o lead de imediato, otimizando o ROI e o tempo de conversão.
Empresas brasileiras já começam a repensar sua atuação digital ao adotar diferentes soluções inovadoras. Um exemplo está na joint venture entre Votorantim, Gerdau e Tigre, que apostou no WhatsApp para vendas B2B e alcançou R$ 250 milhões em volume vendido nos últimos 12 meses, demonstrando que a integração omnicanal é determinante para escalar resultados em mercados altamente competitivos já impactados pela inteligência artificial.
O Papel dos Dados Estruturados e Conteúdo Adaptado para IA
Se antes o SEO já valorizava dados estruturados (schema.org), agora eles se tornam um divisor de águas. Dessa forma, marcas precisam garantir que seu site e suas páginas de produto estejam otimizados para leitura automática da IA, com informações claras, atualizadas e integradas a APIs de estoque, preços e avaliações. Isso amplia a chance de serem exploradas nos painéis inteligentes do Google.
SEO de Performance: Integração Multicanal para Vender Mais
Além do site, é fundamental que sua presença digital esteja sincronizada com marketplaces, páginas sociais e agregadores de reviews. No ambiente generativo, a autoridade vem de múltiplas fontes e o Google tende a priorizar quem entrega experiência consistente em todos os canais. Portanto, investir em integração omnicanal agora é requisito básico para relevância e performance.
IA no Search: Impacto sobre o ROAS e as Estratégias de Mídia
Inicialmente, a maior personalização prometida pela SGE pode elevar o custo por aquisição (CPA), pois a concorrência por recomendações qualificadas tende a aumentar. No entanto, o retorno sobre o investimento em anúncios (ROAS) pode ser significativamente superior, já que os leads mediados por IA são mais segmentados e tendem a converter melhor. Empresas que anteciparem essa mudança, ajustando criativos, ofertas e mensagens para jornadas mais rápidas, colherão resultados mais robustos em menos tempo.
Além disso, a IA também passa a sugerir produtos em carrosséis e highlights próprios, redefinindo a lógica dos anúncios pagos. Dessa forma, é fundamental que profissionais de mídia ajustem estratégias para estar presente nestes novos espaços generativos, combinando SEO, conteúdo pago e inteligência de dados.
Desafios, Barreiras e Oportunidades para o Mercado Brasileiro
Apesar do imenso potencial, a adoção da inteligência artificial generativa no search traz desafios reais, em especial para marcas brasileiras. Em primeiro lugar, ainda há uma lacuna na maturidade do ecossistema digital local. Muitas empresas não possuem dados estruturados, processos ágeis de atualização de inventário ou times de conteúdo preparados para a dinâmica de IA.
No entanto, essa mesma lacuna representa uma avenida de oportunidades. Organizações que migrarem rapidamente para modelos de conteúdo dinâmico, integrarem sistemas e investirem em formação de equipes terão uma vantagem desproporcional. O Brasil, sempre criativo na adoção de inovação, pode ser pioneiro regional desde que CMOs e líderes reconheçam a urgência dessa mudança. Se você está planejando o crescimento de sua empresa diante desse cenário, vale a pena conhecer estratégias data-driven para dominar o mercado em 2025 e fortalecer o posicionamento da sua marca frente às novas dinâmicas digitais impulsionadas pela IA.
Boas Práticas para Potencializar Resultados: Sua Checklist de Ação
Para CMOs, diretores de e-commerce e líderes de tecnologia que buscam transformar inovação em resultados tangíveis, elencamos boas práticas estratégicas à luz da IA generativa no search:
- Reestruture sua estratégia de SEO para atender buscas conversacionais e intencionais.
- Invista em conteúdo multimídia de alta autoridade, incluindo vídeos e avaliações de especialistas.
- Implemente dados estruturados em todo portfólio digital, conectando reviews, preços e disponibilidade em tempo real.
- Integre presença nos principais canais digitais, garantindo consistência de marca e informação.
- Orquestre campanhas de mídia e conteúdo adaptadas ao novo ambiente generativo, com KPIs revisados.
- Monitore de perto os painéis


